Classificação
Usar os seus dados
CSV com as colunas rodada, mandante, visitante, gols_mandante, gols_visitante (gols vazios para jogos que ainda não aconteceram). O formato antigo do pacote R (Rodada, Time1, Time2, GFM, GSM, GSV, GFV) também serve. Separador vírgula ou ponto e vírgula.
Previsão de um jogo
Cálculo exato: as forças dos times saem de todos os jogos já realizados. Funciona para qualquer confronto, inclusive um que não está na tabela.
Previsão da rodada
Probabilidades de todos os jogos da rodada, sem simulação. Em rodadas já disputadas, a previsão usa só o que se sabia antes delas, então dá para conferir o acerto.
Simular o campeonato
Monte Carlo do restante do campeonato, inclusive jogos adiados. As forças são atualizadas rodada a rodada com os resultados simulados, como na dissertação. Com a mesma semente, o resultado é idêntico ao do pacote em Python.
Histórico de simulações
Cada simulação fica guardada neste navegador. Dá para reabrir, refazer com a mesma semente, comparar duas e trocar arquivos com outras pessoas.
Simulações guardadas
Comparar duas
Avaliação dos modelos
Três modelos comparados nos mesmos jogos de 2023 a 2026 (2026 até 29/10): o Gamma-Poisson com memória (proposta), a Média Poisson (dissertação, 2019) e o Dixon–Coles (referência da literatura). Cada jogo foi previsto só com os jogos de datas anteriores, e os parâmetros de cada temporada foram estimados sem ela (validação cruzada por temporada). A temporada de 2022 entra só como histórico.
Esta aba compara os modelos lado a lado; o seletor de modelo do topo não muda os números, só destaca o modelo escolhido na tabela. Para ver um modelo sozinho ou dois a dois, use “Mostrar”.
Desempenho
Menor é melhor em log-loss, Brier, RPS e −log P(placar); maior é melhor em acerto. As três últimas linhas são referências ingênuas, que dão a mesma previsão para todos os jogos. Definições na aba Método.
Diferenças pareadas, com intervalo de 95%
Mesmos jogos, mesma métrica. Ponto à esquerda do zero: o primeiro modelo errou menos. Se o intervalo cruza o zero, a diferença ainda pode ser acaso.
Por temporada
Log-loss médio de cada temporada.
Ao longo do campeonato
Log-loss médio por fase. No começo, quem não tem memória da temporada anterior prevê pior.
Calibração
Jogos agrupados em 10 faixas iguais da probabilidade prevista. Se o modelo está calibrado, os pontos caem na diagonal: entre os jogos com 40% de chance de vitória do mandante, o mandante vence cerca de 40%. As barras verticais mostram ±2 erros-padrão.
Empates
Porcentagem média de empate prevista em cada temporada e frequência observada.
Gols
Total de gols na partida: distribuição prevista (média das previsões jogo a jogo) e observada.
Placares
Os 14 placares mais frequentes: frequência observada e probabilidade média prevista.
Previsão da tabela final
Média de 2023 a 2025 (temporadas completas): o campeonato simulado 20.000 vezes a partir de quatro momentos e comparado com a classificação final real.
Resumo
Método
Os três modelos comparados (a proposta, o da dissertação de 2019 e o Dixon–Coles), com as definições, os resultados que os sustentam e as demonstrações. No fim, a estimação, a avaliação, as regras de classificação e a origem dos dados.
1. Notação
Num campeonato de pontos corridos com n times, cada time i tem quatro taxas de gols por jogo:
- θiFM e θiSM: gols feitos e sofridos por i como mandante;
- θiFV e θiSV: gols feitos e sofridos por i como visitante.
No jogo h (mandante) × a (visitante), X e Y são os gols de h e de a. Depois de r rodadas, s é a soma dos gols numa das quatro situações e nc o número de jogos nela (cerca de r/2). m é a média da liga na temporada anterior (1,53 gol do mandante e 1,00 do visitante em 2025).
2. Modelo 1 — Média Poisson (dissertação, 2019)
Definição 1 (equações 28 a 31 da dissertação). Antes da primeira rodada, todos os times recebem as médias do campeonato anterior, como na dissertação (em 2018: 1,38 e 1,04). Essa média inicial entra na soma como a rodada 0 (o termo i = 0), e por isso o denominador tem “+ 1”:
e o mesmo para SM, FV e SV. Os gols do jogo são Poisson independentes com a média das duas médias que falam do mesmo número:
Pela independência, P(X = x, Y = y) = P(X = x)·P(Y = y), e as chances de vitória, empate e derrota são somas dessa tabela (abaixo, acima e na diagonal). A dissertação agrupa “5 ou mais” gols numa classe; o laboratório soma até 30 gols, o que muda as probabilidades em menos de 10−4. Esse modelo é o “Média Poisson” do seletor no topo.
3. Por que tirar a média e manter a Poisson
Proposição 1 (soma de Poissons). Se A ∼ Poisson(α) e B ∼ Poisson(β) são independentes, então A + B ∼ Poisson(α + β).
Demonstração. A função geradora de probabilidades da Poisson(λ) é G(z) = E[zN] = eλ(z−1). Pela independência, E[zA+B] = eα(z−1)eβ(z−1) = e(α+β)(z−1), que é a geradora da Poisson(α + β). ∎
Proposição 2 (afinamento binomial). Se S ∼ Poisson(λ) e, dado S, G ∼ Binomial(S, ½), então G ∼ Poisson(λ/2) e E[G | S] = S/2.
Demonstração. E[zG | S] = (½ + ½z)S. Logo E[zG] = GS(½ + ½z) = eλ(½+½z−1) = e(λ/2)(z−1). ∎
Consequência. Com λ = θFMh + θSVa, as duas proposições dão a mesma leitura do Modelo 1: os gols do mandante podem ser vistos como a soma de uma parcela Poisson(θFMh/2) “do ataque de h” e outra Poisson(θSVa/2) “da defesa de a”, ou como cada uma das S chances virando gol com probabilidade ½. A média condicional dos gols é W = S/2, exatamente a média das duas Poissons; não é preciso arredondar nada.
4. Modelo 2 — Gamma-Poisson com memória (proposta)
Definição 2. Uma variável θ > 0 tem distribuição Gamma(α, β) (forma α, taxa β) se sua densidade é f(θ) = βαθα−1e−βθ/Γ(α). Então E[θ] = α/β e Var[θ] = α/β2.
Teorema 1 (conjugação). Se θ ∼ Gamma(α, β) e, dado θ, x1, …, xn são Poisson(θ) independentes, então θ | x ∼ Gamma(α + s, β + n), com s = Σxj.
Demonstração. Pelo teorema de Bayes, f(θ | x) ∝ f(θ)·Πj e−θθxj ∝ θα−1e−βθ·θse−nθ = θα+s−1e−(β+n)θ, o núcleo da Gamma(α + s, β + n). ∎
Corolário 1 (a fórmula da dissertação é uma média a posteriori). Escrevendo o prior como Gamma(k·m, k), de média m e “peso” k, a média a posteriori é
Com k = 1 e m = média da liga, é a Definição 1. Portanto a Média Poisson já é um modelo bayesiano Gamma-Poisson: a rodada 0 da dissertação é um prior que vale uma rodada, igual para todos os times. O k é o que a literatura chama de tamanho amostral a priori: quantos jogos a informação anterior vale. O fator Z é o fator de credibilidade de Bühlmann (1967): quanto peso dar ao histórico do próprio time contra a média do grupo.
Definição 3 (Modelo 2). Cada uma das quatro taxas de cada time tem prior Gamma(k·mi, k), em que mi vem da temporada anterior (seção 6) e k é estimado (seção 7). A atualização é o Teorema 1 rodada a rodada, e os gols do jogo seguem a mesma regra da média do Modelo 1:
Os dois modelos têm então a mesma estrutura e diferem só no prior: o Modelo 1 é o caso particular k = 1 e mi = m. A proposta muda duas coisas que a dissertação deixou fixas: quanto vale a informação anterior ao campeonato (k) e de onde ela vem (mi).
Hipótese de trabalho. Para atualizar θFMh, cada gol de h em casa é tratado como uma observação Poisson(θFMh). Num turno e returno cada time enfrenta todos os outros, então a força média dos adversários é a mesma para todos e θFMh é a taxa de gols de h contra um adversário típico. Trata-se de uma verossimilhança de trabalho, a mesma hipótese implícita na dissertação, e não de um modelo gerador completo. O modelo que trata o adversário explicitamente é o Dixon–Coles (seção 6), usado aqui como referência.
5. A memória: o prior de cada time
Definição 4. Para o time i que estava na mesma série no ano anterior, com taxa bruta ri (média de 19 jogos) numa das quatro situações,
com wataque para gols feitos e wdefesa para gols sofridos. Para um time que subiu da divisão de baixo, mi = ρ·m, com ρataque (gols feitos) e ρdefesa (gols sofridos). Na Série B há um terceiro caso, o time rebaixado da Série A, com fatores próprios ρrebataque e ρrebdefesa. Sem temporada anterior (2022 na base), todos recebem m com peso fixo de 8,14 jogos.
Justificativa. mi é o melhor preditor linear da taxa deste ano a partir da do ano anterior: uma regressão à média, no sentido de Galton. Entre temporadas consecutivas (2022→2026, 64 pares de time-temporada), a inclinação dessa regressão vai de 0,25 a 0,52 conforme a taxa. A estimativa conjunta dá wataque ≈ 0,89 e wdefesa ≈ 0,69, mas a regra da média divide o efeito de cada taxa por 2, então o efeito líquido no jogo (≈ 0,45 e 0,34) fica dentro da faixa observada. Na Série A, os promovidos começam marcando 17% menos e sofrendo 36% mais que a média. Na Série B a persistência é bem menor (wataque ≈ 0,30 e wdefesa ≈ 0,19), porque os elencos mudam muito de um ano para o outro, e os rebaixados da Série A chegam marcando 31% mais e sofrendo 11% menos que a média.
Por que isso importa mais na Série B. A cada ano, 8 dos 20 times da Série B são novos (4 vindos da A e 4 da C). Sem memória, esses times começam iguais à média, mas os que vêm da A costumam estar entre os mais fortes.
6. Modelo 3 — Dixon–Coles (referência da literatura)
É o modelo de referência para placares de futebol (Dixon & Coles, 1997), construído sobre a estrutura multiplicativa de Maher (1982).
Definição 5. Cada time i tem um parâmetro de ataque ai e um de defesa di, e há um parâmetro de mando h. No jogo i (mandante) × j (visitante),
com τ(0,0) = 1 − λμρ, τ(0,1) = 1 + λρ, τ(1,0) = 1 + μρ, τ(1,1) = 1 − ρ e τ = 1 nos demais placares. O fator τ deixa os gols dos dois times dependentes nos placares baixos; com ρ = 0, volta-se a duas Poissons independentes.
Proposição 3. Para todo ρ com max(−1/λ, −1/μ) ≤ ρ ≤ min(1/(λμ), 1), a função acima é uma distribuição de probabilidade.
Demonstração. Na faixa indicada, os quatro fatores τ são não negativos. Basta ver que a correção não altera a soma das quatro casas: com c = e−λ−μ, a soma de τ·P em (0,0), (1,0), (0,1) e (1,1) é c[(1 − λμρ) + λ(1 + μρ) + μ(1 + λρ) + λμ(1 − ρ)] = c(1 + λ + μ + λμ), a mesma soma sem a correção. ∎
Estimação. Os parâmetros maximizam a log-verossimilhança ponderada dos jogos anteriores,
em que a idade é medida em dias. O peso e−ξ·idade é a forma de Dixon e Coles dar mais importância aos jogos recentes, e é ele que permite usar várias temporadas da mesma série (a memória do Dixon–Coles). A penalidade leve (c = 0,1) é necessária porque somar uma constante a todos os ataques e subtraí-la de todas as defesas não muda nenhuma previsão; ela também deixa um time sem jogos na base com força média. A otimização usa L-BFGS-B com gradiente analítico. Para prever os jogos de uma data, o modelo é reajustado com todos os jogos de datas anteriores.
Diferenças em relação aos outros dois. No Dixon–Coles a força do adversário entra explicitamente (estrutura multiplicativa, estimada com todos os jogos ao mesmo tempo), e o histórico entra pelo peso temporal. Nos modelos 1 e 2 cada taxa é uma média de gols do próprio time, e o histórico entra pelo prior.
7. Estimação e validação
Os parâmetros do Modelo 2 (k, wataque, wdefesa, ρataque, ρdefesa e, na Série B, os dois ρ dos rebaixados) maximizam a verossimilhança prequencial dos placares (Dawid, 1984): cada jogo das temporadas 2023 a 2026 é previsto só com os jogos de datas anteriores, e somamos −log P(placar observado). São estimados separadamente para cada série. Num modelo conjugado, esse produto de preditivas um passo à frente é a própria verossimilhança marginal dos dados, então a escolha é um Bayes empírico (máxima verossimilhança tipo II). A otimização é feita pelo método de Nelder–Mead.
No Dixon–Coles, o único hiperparâmetro é o ξ, escolhido pelo mesmo critério numa grade (0 a 0,008 por dia); os demais parâmetros são reestimados a cada data. A Média Poisson não tem nada a estimar (k = 1 e média da liga, como na dissertação).
Para não avaliar os modelos com os mesmos dados que os ajustaram, a aba Avaliação usa validação cruzada por temporada: os parâmetros usados em 2024, por exemplo, são estimados só com 2023, 2025 e 2026. A tabela mostra os valores estimados com todas as temporadas e sem cada uma delas.
8. Simulação do campeonato
Os jogos que faltam são sorteados (Monte Carlo) com as probabilidades do modelo. Nos modelos 1 e 2, depois de cada rodada simulada, as médias são atualizadas com os placares sorteados, como na dissertação; no Modelo 2 isso aproxima sortear as taxas da distribuição a posteriori, porque cada resultado simulado entra no Teorema 1 como um dado. No Dixon–Coles usam-se os parâmetros estimados no momento da simulação. Com a mesma semente, o pacote em Python e este laboratório dão os mesmos números nos modelos 1 e 2 (gerador xoshiro256**).
Dixon–Coles no laboratório. O seletor de modelo também oferece o Dixon–Coles. O ajuste é feito no próprio navegador (L-BFGS com gradiente analítico) com todas as temporadas da mesma série disponíveis até o momento da previsão, e reproduz o ajuste do estudo em Python (diferença máxima de 10−6 nas médias de gols). Como os arquivos de dados do pacote não trazem datas, no laboratório a idade de cada jogo é aproximada por 7 dias por rodada e 365 dias por temporada; os números da aba Avaliação usam as datas reais.
9. Medidas de avaliação
Para um jogo com probabilidades (pV, pE, pD) e resultado codificado por y (1 no que aconteceu, 0 nos outros):
- Log-loss: −log presultado. Pune muito quem dá probabilidade quase zero ao que acontece. Chutar ⅓ dá log 3 ≈ 1,099.
- Brier (medida de DeFinetti usada na dissertação): Σ(pj − yj)2. Vai de 0 a 2; chutar ⅓ dá 0,667.
- RPS (Epstein, 1969): considera a ordem vitória–empate–derrota, porque errar por um empate é menos grave que errar o vencedor. RPS = ½ Σj=12(Pj − Yj)2, com somas acumuladas. Recomendado para futebol por Constantinou & Fenton (2012).
- Acerto: fração de jogos em que o resultado mais provável aconteceu. É intuitivo mas grosseiro, porque ignora a confiança da previsão.
- −log P(placar): o mesmo que o log-loss, mas para o placar exato.
Log-loss, Brier e RPS são regras de pontuação próprias (Gneiting & Raftery, 2007): em média, ninguém melhora a nota informando probabilidades diferentes das que acredita, então elas premiam previsões honestas. A calibração compara, em faixas de probabilidade prevista, a previsão média com a frequência observada. A decomposição de Murphy (1973) separa o Brier em confiabilidade (erro de calibração, menor é melhor) − resolução (quanto as previsões se afastam da média, maior é melhor) + incerteza (só depende dos resultados). As diferenças entre modelos são pareadas (mesmos jogos), com intervalo de 95% por bootstrap em blocos de rodadas, para respeitar a dependência entre jogos da mesma rodada.
10. Regras de classificação e dados
Desempate (REC 2026): pontos, vitórias, saldo, gols pró e confronto direto (só entre 2 clubes empatados). Cartões não estão nos dados, então na simulação o empate restante vai a sorteio e na tabela real fica em ordem alfabética da sigla.
Vagas da Série A 2026:
- A tabela dá 4 vagas na fase de grupos da Libertadores e 1 na pré. O campeão da Copa do Brasil vai aos grupos e o vice à pré (Art. 6 e §1).
- Campeão da Libertadores ou da Sul-Americana: fica com a vaga da CONMEBOL e a vaga nacional dele volta para a tabela (§2). Quem se classifica pela Copa e pela tabela fica com a vaga melhor (§3 e §4). Se o campeão da Copa já tem vaga, a vaga direta vai ao vice (§5).
- Vagas repassadas seguem a ordem da tabela. A Sul-Americana fica com os 6 mais bem colocados sem Libertadores (Art. 7), e os 4 últimos caem (Art. 8).
Série B: de 2022 a 2025, os 4 primeiros subiam direto. Em 2026, 1º e 2º sobem direto e os playoffs são 3º × 6º e 4º × 5º, em ida e volta, com a volta na casa do melhor colocado; empate no agregado, sobe o melhor colocado. Os 4 últimos caem. O laboratório aplica a regra de cada ano.
Dados:
- Série A 2024 a 2026: PDFs da CBF. A tabela de 2026 foi conferida com a classificação de 29/10/2026 e teve 4 correções.
- Série A 2022 e 2023: base pública Brasileirao_Dataset (Adão Duque, GitHub). As classificações finais conferem com as oficiais, e 2024 bate jogo a jogo com a base da CBF.
- Datas dos jogos da Série A de 2025 e 2026: listas de jogos do site Chance de Gol, cujos placares conferem 100% com a base da CBF. São Paulo × Fluminense (2025, rodada 17), que não está na lista, recebeu a data mediana da rodada.
- Série B 2022 a 2025: súmulas da CBF (base pública BrazilianFootball/Data, via serie-b-analytics); o número do jogo dá a rodada. Seis jogos sem súmula foram completados com as páginas da CBF. Campeões, acessos, rebaixados e pontuações conferem com as classificações oficiais.
- Série B 2026: 35 rodadas de golsstats e futbol24 e rodadas 36 a 38 da tabela da CBF, conferidas com a classificação oficial. Como não há datas nessa base, a ordem dos jogos segue as rodadas.
Referências
- RAMOS, L. F. P. Previsão de resultados do Campeonato Brasileiro de Futebol. Dissertação (PROFMAT), orientação de Ben Deivide de Oliveira Batista, 2019.
- BÜHLMANN, H. Experience rating and credibility. ASTIN Bulletin, 4(3), 199–207, 1967.
- CONSTANTINOU, A. C.; FENTON, N. E. Solving the problem of inadequate scoring rules for assessing probabilistic football forecast models. Journal of Quantitative Analysis in Sports, 8(1), 2012.
- DAWID, A. P. Statistical theory: the prequential approach. Journal of the Royal Statistical Society A, 147(2), 278–292, 1984.
- DIXON, M. J.; COLES, S. G. Modelling association football scores and inefficiencies in the football betting market. Applied Statistics, 46(2), 265–280, 1997.
- EPSTEIN, E. S. A scoring system for probability forecasts of ranked categories. Journal of Applied Meteorology, 8, 985–987, 1969.
- GNEITING, T.; RAFTERY, A. E. Strictly proper scoring rules, prediction, and estimation. Journal of the American Statistical Association, 102, 359–378, 2007.
- MAHER, M. J. Modelling association football scores. Statistica Neerlandica, 36(3), 109–118, 1982.
- MURPHY, A. H. A new vector partition of the probability score. Journal of Applied Meteorology, 12, 595–600, 1973.
- BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação, 2018.
Código: github.com/bendeivide/jogospc. O laboratório usa a porta em JavaScript do núcleo C++ do pacote, conferida número a número com a versão em Python.
Proposta de uso em sala de aula
Uma sequência didática para o Ensino Médio que usa o Brasileirão para ensinar probabilidade, estatística e modelagem. Cada aula tem uma atividade interativa nesta página, que funciona sem internet, num computador ou projetada para a turma.
Visão geral
Questão motivadora: “Quem diz que o Palmeiras tem 60% de chance de vencer está certo ou errado se o Palmeiras perder?” A pergunta leva ao centro da probabilidade: uma previsão não erra num jogo isolado, mas pode ser boa ou ruim em muitos jogos.
Habilidades da BNCC
- EM13MAT311 — Identificar e descrever o espaço amostral de eventos aleatórios, realizando contagem das possibilidades, para resolver e elaborar problemas que envolvem o cálculo da probabilidade. aulas 2 e 3
- EM13MAT312 — Resolver e elaborar problemas que envolvem o cálculo de probabilidade de eventos em experimentos aleatórios sucessivos. aulas 2, 3 e 6
- EM13MAT511 — Reconhecer a existência de diferentes tipos de espaços amostrais, discretos ou não, e de eventos, equiprováveis ou não, e investigar implicações no cálculo de probabilidades. aulas 1 e 2
- EM13MAT316 — Resolver e elaborar problemas, em diferentes contextos, que envolvem cálculo e interpretação das medidas de tendência central (média, moda, mediana) e das medidas de dispersão (amplitude, variância e desvio padrão). aulas 1 e 4
- EM13MAT406 — Construir e interpretar tabelas e gráficos de frequências com base em dados obtidos em pesquisas por amostras estatísticas, incluindo ou não o uso de softwares que inter-relacionem estatística, geometria e álgebra. aulas 1 e 5
- EM13MAT106 — Identificar situações da vida cotidiana nas quais seja necessário fazer escolhas levando-se em conta os riscos probabilísticos. aula 6
Competências específicas 3 e 5 da área de Matemática e suas Tecnologias (BNCC, 2018).
Quantos gols tem um jogo? Frequência e o modelo de Poisson
Objetivo: construir uma distribuição de frequências e compará-la com um modelo de probabilidade. Habilidades: EM13MAT406, EM13MAT316, EM13MAT511.
Problematização (10 min). Cada aluno escreve sua estimativa: em quantos jogos de 100 sai 0 × 0? E mais de 4 gols?
Investigação (25 min). No gráfico ao lado estão todos os jogos da temporada escolhida. A turma calcula a média e a variância dos gols do mandante e move o controle λ até a curva de Poisson “encaixar” nas barras. Pergunta-chave: o que acontece com o encaixe quando λ é igual à média?
Sistematização (15 min). A Poisson tem média = variância = λ. Nos dados de gols, as duas ficam próximas, o que sustenta o modelo. P(X = k) = e−λλk/k!, um espaço amostral discreto e infinito, com eventos não equiprováveis.
A tabela de placares: eventos independentes e o princípio multiplicativo
Objetivo: calcular probabilidades de vitória, empate e derrota a partir das distribuições de gols de cada time. Habilidades: EM13MAT311, EM13MAT312, EM13MAT511.
Passo 1. Escolha um jogo. O modelo da dissertação diz quantos gols, em média, cada time faz nesse confronto (a média do ataque de um com a defesa do outro).
Passo 2. Com a fórmula da Poisson, a turma preenche as duas primeiras linhas da tabela, com P(0 gol), P(1 gol)… de cada time.
Passo 3. Supondo independência, P(2 × 1) = P(mandante faz 2) × P(visitante faz 1). A turma preenche a grade e pinta as três regiões: abaixo da diagonal é vitória do mandante, na diagonal é empate e acima é vitória do visitante.
Discussão. Os gols de um time são mesmo independentes dos do outro? (A aba Avaliação mostra que o modelo erra um pouco o 0 × 0 e o 1 × 1.)
Simular com números aleatórios: a lei dos grandes números
Objetivo: entender a simulação de Monte Carlo e a relação entre frequência e probabilidade. Habilidades: EM13MAT312, EM13MAT311.
Sorteio à mão (20 min). Para sortear os gols, a turma usa a tabela acumulada da Poisson (como as Tabelas 1 e 2 da dissertação): sorteia um número u entre 0 e 1 e procura em que faixa ele cai. Cada grupo sorteia 10 jogos e anota os resultados.
Juntar a turma (10 min). Somam-se os resultados dos grupos. A frequência de vitórias do mandante ficou perto da probabilidade da aula 2?
Computador (20 min). Simule 10, 100, 1.000 e 100.000 jogos. A frequência oscila no começo e depois se estabiliza perto da probabilidade: é a lei dos grandes números. O erro típico cai como 1/√n, de modo que para dividi-lo por 10 é preciso simular 100 vezes mais jogos.
Aprender com os dados: médias ponderadas e regressão à média
Objetivo: interpretar a atualização (soma + k·m)/(n + k) como média ponderada e discutir o peso da informação anterior. Habilidade: EM13MAT316.
Pergunta. Um time fez 3 gols no primeiro jogo em casa. A média dele em casa é 3? Quase ninguém aposta nisso. Usamos o que já sabíamos antes do campeonato (a média da liga ou o ano anterior) com peso k jogos.
Atividade. Com o controle k, a turma vê como a estimativa muda rodada a rodada. Com k = 0 ela é a média pura, que pula muito; com k grande, quase não sai do lugar. Os valores usados são k = 1 na dissertação e k ≈ 13 na proposta.
Regressão à média. Quem marcou muito num ano tende a marcar um pouco menos no seguinte, mais perto da média, e vice-versa. O mesmo vale para notas de prova, alturas de pais e filhos (Galton) e desempenho de atletas.
Uma previsão é boa? Pontuação de Brier
Objetivo: avaliar previsões probabilísticas com uma regra de pontuação e entender calibração. Habilidades: EM13MAT406, EM13MAT316.
Jogo da previsão. Antes da rodada, cada aluno dá suas chances (vitória, empate, derrota) para os jogos. Depois da rodada, todos calculam a pontuação de Brier, a soma de (probabilidade − resultado)2. Menor é melhor; o chute ⅓, ⅓, ⅓ dá 0,667.
Por que não basta “acertar”? Quem dá 100% e erra leva 2, a pior nota. A pontuação premia quem é honesto com a própria incerteza, e é assim que se avaliam a previsão do tempo e modelos de eleição.
Calibração. Entre todos os jogos em que alguém disse 30%, o evento deve acontecer em cerca de 30% das vezes. A turma pode conferir isso com os gráficos da aba Avaliação.
Projeto: simular o campeonato e discutir riscos
Objetivo: aplicar a simulação a uma pergunta real e discutir decisões sob incerteza. Habilidades: EM13MAT312, EM13MAT106.
Em grupos (30 min). Cada grupo escolhe uma pergunta (quem será campeão? meu time cai?), roda a aba Simular campeonato com 20.000 simulações e apresenta o resultado com a margem de erro do Monte Carlo (≈ 1/√20.000 ≈ 0,7 ponto percentual). Uma variação é usar “e se” para fixar o resultado de um clássico e ver o efeito.
Debate (20 min): probabilidade não é certeza. Um time com 90% de chance de escapar do rebaixamento cai, em média, 1 em cada 10 vezes. Nas apostas esportivas, a casa embute uma margem nas odds: somando 1/odd dos três resultados, o total passa de 100%, e por isso o apostador perde em média, por melhor que seja o seu modelo. A turma calcula essa margem com odds reais de um jogo e discute o risco de apostar.
Avaliação da aprendizagem. Relatório curto do grupo (pergunta, método, resultado e limitação), a pontuação de Brier de cada aluno na aula 5 e uma questão individual: explicar por que um modelo pode ser bom mesmo “errando” um jogo.
Para o professor
- As fórmulas e demonstrações estão na aba Método. A Proposição 1 (soma de Poissons) e o Teorema 1 (conjugação) podem ser trabalhados no itinerário de aprofundamento com funções geradoras, ou apenas de forma intuitiva.
- As atividades 2 e 3 também se fazem à mão: a tabela da Poisson para λ = 1,4 e λ = 1,0 cabe numa folha.
- Extensões: comparar Séries A e B (a B tem menos gols?), estudar o mando de campo (o mandante faz quantos gols a mais?) e coletar as previsões de sites e jornais ao longo do campeonato para pontuá-las.